sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ana, para ler rápido

Quem sou? Não me conheço… Sou inconstante.
Surpreendentemente não sou quem sente
Se sabe entender a própria pessoa.
Tenho-as: suspeitas. Serei feliz?

Sendo um navio, vou desde a popa à proa
Num simples, pobre e desgostoso instante.
Não é que, de rompante, de repente.
Já não sou, não me sinto Vieira ou Luís.

Salvas-me por seres que tu não és,
Ou melhor, quem tu não parecias ser.
Eras desprezível (isto a meu ver).
Presentemente és o meu querubim.

“Obrigaste-me” a ajoelhar-me a teus pés.
Disseste-me teu anjo e tal pôs-me assim.
Amor angelical: meu parecer.
Por ti amiga. Por não me saber.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Laboratório de Lama

Laboratório da ciência, do amor,
É a terra: Vive do Sol, seu calor,
Dos seus raios luminosos e brilhantes
Que fazem dela bonita e alumiada.

Oponho-me a isto. Cavaleiro andante,
Não sou. Capacete e armadura: minha dor,
Não dou. Se estou a viver sem ardor…
Não estou. Ainda assim vivo … Sem nada.

Sou como potássio e a dor como água.
Desfaço-me a espumar e a acender chama
Com ânsia de aniquilar quem me trama,
Por não ter mais que um neurónio electrão.

Mato-me por isto! Por pura mágoa.
Mato-me pela religião? Não! … NÃO!!!
Mato-me pela ciência de quem ama.
Água e terra só se traduz em lama.

Porque é que neste planeta existe mais dor que paixão? Porque é que existe mais água que terra? Já sabemos que no fim eles acabam por se misturar… Quase que prefiro ir para o espaço.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

André Carvalho

Nada é o que vivo, o que penso, o que sinto.
Nada é a alegria da garrafa de absinto.
Nada: o ás de copas vazias na manga.
Nada: o tudo que quase ninguém vê.

Nada é a sobriedade de pisanga.
Nada é o amor sobre o qual falo e não minto.
Nada: é calor, brilho de vinho tinto.
Nada: o bom palato de JB.

Nada … É tudo aquilo que eu consigo.
Nada … É o que fiz sem ter meu castigo.
Nada é a vida que tenho sem tortura.
Nada é a tal felicidade auto-estima.

Nada … o silêncio que me murmura.
Nada … é a minha maior obra-prima.
Nada … é a dor de quando estou contigo.
Nada fiz para te ter como amigo!

André, por quê?
Como?
O que é que eu fiz para seres meu amigo?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

"Come as you are", de Kurt Cobain, Nirvana

Necessárias e desejadas férias,
Pois detêm o meu esforço de sérias,
Diabólicas, árduas horas de estudo,
E acalmam minha atribulada alma.

Alma essa que sofre de quase tudo,
E, apesar de todas as misérias
Que corroem e destroem artérias,
Sou feliz: tenho a imprescindível calma.

Com calma, agradeço este descanso
De que usufruiu o espírito e o coração.
Aproveito e ouço a sublime canção:
“Come as you are” de Kurt Cobain, Nirvana.

A canção lírica de um ganso manso
Que ressoa na minha caixa craniana.
“Memory ah” que eu tenho por paixão.
Feliz eu estou na mão do meu verão.